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[Especial Centenário de Luiz Gonzaga] #10 A coroação do Mestre



 
Em meados da década de 40 Luiz Gonzaga apresentou o baião ao Brasil através da canção que dizia "Eu vou mostrar pra vocês / Como se dança o baião / E quem quiser aprender / É favor prestar atenção, e os brasileiros não só prestaram atenção na aula do sanfoneiro como aprenderam a lição e transformaram o ritmo em sucesso internacional.
Originalmente o conjunto da instrumentação básica do baião era de origem portuguesa, veio para o Brasil e Luiz Gonzaga criou a divisão do triângulo, a forma como ele é tocado no baião. Segundo Humberto Teixera, parceiro de Gonzaga, o lançamento nacional do baião junto com outros ritmos nordestinos foi meticulosamente planejado por Luiz Gonzaga. Sobre isso Gonzaga contou "quando toquei o baião para ele (Humberto Teixeira) saiu a ideia de um novo gênero. Mas o baião já existia como coisa de folclore. Eu o tirei do bojo da viola do cantador, quando faz o tempero para entrar na cantoria e dá aquela batida, aquela cadência no bojo da viola. A palavra também já existia. O que não existia era uma música que caracterizasse o baião como ritmo. Tinha só o tempero, que era prelúdio da cantoria. E aquilo que o cantador faz, quando começa a pontilhar a viola, esperando a inspiração." lembra Gonzaga. O sanfoneiro estilizou o modo binário do baião, amaciando-o para o paladar urbano e o sucesso da empreitada foi tão grande que ele desequilibrou o eixo da MPB e colocou o Nordeste no mapa da MPB. A síntese instrumental imaginada por Gonzaga para acompanhar o ritmo, saanfona, zabumba e triângulo, virou epidemia e Gonzaga foi o grande divulgador e fixador do baião cantado como gênero de música popular brasileira.
A maioria dos baiões bem sucedidos na música brasileira são cantados e compostos por Luiz Gonzaga. Por tamanha contribuição o povo brasileiro, admirador do mestre e do ritmo que ele difundiu coroou o sanfoneiro apelidando-o como Rei do Baião. Sendo desta forma Luiz Gonzaga o único Rei eleito pelo povo da história.
No vídeo abaixo você pode constatar porque Gonzaga foi coroado Rei do Baião.



Forró Danado e Estakazero comandam aula de forró especial para a Rede Bahia



Os Danados e parte da banda Estakazero
Na manhã deste sexta-feira, 27/04, o Grupo Forró Danado esteve numa das sedes da Academia Alpha Fittness em Salvador, a convite da TV Bahia, para uma reportagem especial sobre a grande procura de aulas de forró em academias com o objetivo de perda de peso.
A matéria foi ao ar AO VIVO no Jornal da Manhã apresentado por Georgina Maynart e Ricardo Ishmael. A reportagem é de Adriana Oliveira.


João Pipolo e Léo Macedo
"Simplesmente um encontro fantástico! A Estakazero tem músicos extremamente simpáticos, a começar pelo líder Léo Macedo. Estamos de parabéns por essa mistura de Estakazero e Forró Danado em uma das maiores e melhores academias de Salvador, a Alpha Fitness." Disse João Pipolo que comandou os danados que também participaram da reportagem com muita alegria, energia e domínio da técnica que lhe são característicos. 


Para Vanessa Scopel, aluna da sede de Simões Filho do Forró Danado, "Foi uma realização em dose dupla, me apresentar e ao vivo. Dá aquele frio na barriga que só quem passou sabe, mas, com a união e a força dos danados fomos lá e fizemos bonito mostrando nossa força e a importância do nosso grupo." 
Teresa Oliveira, também aluna da sede de Simões Filho, comentou a experiência "Nunca achei que acordar às 4h da manhã me seria tão proveitoso. Achei  maravilhoso, algo surpreendente. O cantor Léo Macedo e os outros integrantes da Estakazero foram super gentis. Ameei, foi bom demais. Forró Danado com toda força. Sucesso!" Declara.

João Pipolo e o a repórter Adriana Oliveira
Não foi a primeira vez que o Forró Danado foi destaque na imprensa. Em maio de 2011 a BAND BA fez uma matéria especial com o professor João Pipolo e seus alunos  e logo depois em Junho, o portal iBahia convidou o grupo para ilustrar uma matéria com o sanfoneiro Targino Gondim, da qual participaram os alunos Vinícius Gomes e Priscila Ferretti.


Sobre o crescimento do grupo e o sucesso permanente João Pipolo comentou: "O que eu quero mais? As aulas lotadas e o grupo amadurecendo a cada dia!!" Comemora


Foi com muita alegria que recebemos o convite e agradecemos a Academia Alpha Fitness, à banda Forró Estakazero e à Rede Bahia na pessoa de sua repórter Adriana Oliveira pela oportunidade e confiança em mais uma vez estarmos presentes na programação da maior rede de comunicação do nosso estado difundindo o forró e a cultura nordestina.

Obrigada pelo carinho, atenção e respeito com que sempre somos recebidos não só na Alpha Fitness, como nas dependências da Rede Bahia e como aconteceu com a Estakazero neste primeiro, de muitos contatos.

Pra quem não viu ou quer rever abaixo o vídeo da matéria que foi ao ar no Jornal da Manhã.
 

[Especial Centenário de Luiz Gonzaga] #5 A música me faz contente

O menino Luiz Gonzaga começou a vida artística em cedo, pelas mãos de seu pai, o mestre Januário, afamado sanfoneiro da região do sertão de Pernambuco. Gonzaga acompanhava o pa nas festas e feiras e com ele aprendeu o ofício de tocador.
Durante sua vida Gonzaga teve 53 parceiros musicais e também gravou canções de outros compositores, desde que estas apresentassem compromissso com o Nordeste.
"Eu queria cantar o Nordeste. Eu tinha a música, tinha o tema, o que eu não sabia era continuar. Eu precisava de um poeta que saberia escrever aquilo que eu tinha na cabeça, de um homem culto para me ensinar as coisas que eu não sabia." Contou Luiz Gonzaga a Denise Dreyfus
Em agosto de 1945, Gonzaga se encontra com o músico e advogado cearense Humberto Teixeira, e deste encontro surge uma parceria que rendeu canções como No meu Pé de Serra, Asa Branca, O Baião, Assum Preto, Juazeiro, Légua Tirana, Paraíba, Respeita Januário, entre outras.

Outro parceiro que se destacou foi o poeta paraibano Zé Marcolino, cantador de profissãoque valorizava as tradições nordestinas e fã de Gonzaga a ponto de escrever-lhe inúmeras cartas com a esperança de conhecer pessoalmente o Rei do Baião, o primeiro encontro se deu sem grande sucesso, mas a persistência de Zé Marcolino fez com que Gonzaga se dispusesse a escutá-lo e a escutar suas músicas. Desta parceria surgiram Fazenda Cacimba Nova, Pássaro Carão, Sala de Reboco, Saudade Imprudente, Cacimba Nova, Serrote Agudo, Marimbondo, Pássaro Fura Barreira, Matuto Aperreado, Sertão de Aço dentre outras.
O também pernambucano Zé Dantas tinha um vasto conhecimento das tradições nordestinas e sempre usou este tema em suas canções que permaneceram inéditas até o encontro com Luiz Gonzaga que se encantou com as composições e prometeu gravá-las, Zé dantas porém pediu ao Mestre que não divulgasse seu sobrenome por temer perder a mesada que recebia do Pai para completar os estudos de medicina na capital pernambucana.
Ao se formar Zé Dantas se muda para o Rio de Janeiro para fazer residência médica e neste mesmo período atinge o auge de sua parceria com o Rei, suas músicas passaram a lhe render um bom dinheiro que proporcionaram sua independência financeira. Esta parceria rendeu os sucesos Vem Morena, Riacho do Navio, Acauã, A Volta da Asa Branca e Sabiá
 Também foram parceiros de Luiz Gonzaga nomes como Miguel Lima, Onildo Almeida e João Silva.

Mas foi em 1950, época de ouro de Luiz Gonzaga, havia em Garanhuns um menino de 8 anos que tocava pandeiro na porta do Hotel Tavares, num trio com os dois irmãos. Este menino era José Domingos de Morais ou simplesmente Dominguinhos.
Gonzaga os viu e deu ao pai dos meninos dinheiro e seu endereço no Rio de Janeiro. Os meninos seguiram ainda para Olinda e pelo interior tocando e só procuraram Gonzaga quando o pai adoeceu e foi desenganado pelos médicos. Seguiram para o Rio de Janeiro de carona num caminhão, numa viagem que durou onze dias.
Dominguinhos tornou-se discípulo de Luiz Gonzaga e inovou a arte do mestre emprestando sotaques diferentes e novos à sanfona sem abandonar o baião de seu padrinho. Em pouco tempo Dominguinhos vingou. Consagrado pelo público e pela crítica ele não só deu continuidade quanto ampliou o legado da cultura nordestina.
Dominguinhos descreve Luiz Gonzaga como o mais importante artista criador da música popular nordestina.
"Ele [Luiz Gonzaga] foi essa figura que, sem atentar muito para isso, deixou uma imensa obra para seguir e aprender para que ele continue sendo lembrado e sua herança jamais se perca." Disse Dominguinhos.
Quando Dominguinhos estava já com 16 anos, Gonzaga o apresentou como seu herdeiro artístico. Gonzaga queria levar Dominguinhos e sua parceira Anastácia com ele em suas viagens para o Nordeste e para isso nomeou Dominguinhos como seu motorista e o garoto também fazia propaganda nos lugares onde chegavam com uma corneta em cima do carro.
"Eu Fazia propaganda, abria os shows, depois ele se juntava e fazia o resto do show. Essas viagens foram extraordinárias, eu aprendi muito. Nem Gonzaguinha tirou proveito como eu." Relembra Dominguinhos.
Gonzaga e seus parceiros enalteceram a cultura nordestina e a apresentaram não só a todos os brasileiros como também a levaram para fora do país.